Jantares à moda antiga
Há lembranças que não se esquecem… ficam agarradas ao peito, como o cheiro de uma panela ao lume.
No Alentejo de antigamente, o jantar não era só comer — era o fim do dia, era descanso da lida, era aquele bocadinho de sossego depois de horas no campo, de sol na cabeça e mãos na terra.
A casa era simples, muitas vezes fria no inverno e quente no verão. A luz vinha de um candeeiro a petróleo, a tremelicar ali num canto, a iluminar mais sombras do que certezas. E mesmo assim, chegava.
À volta da mesa — que nem sempre era grande — juntava-se a família. Uns calados, outros a contar qualquer coisa do dia. O barulho era pouco: só a colher a bater no prato, o pão a partir-se com a mão, e o lume a estalar lá na lareira.
Não havia televisão a fazer companhia, nem distrações. Havia fome — e havia respeito pela comida.
O pão nunca faltava. Mesmo duro, aproveitava-se. Uma sopa, umas migas, qualquer coisa que aquecesse o corpo. E aquilo sabia bem… não era só do tempero — era da vida.
As caras estavam marcadas, pois claro. O trabalho não perdoava. Mas havia ali uma coisa que hoje se vê pouco: calma. Cada um no seu lugar, sem pressa de acabar, sem olhar para o relógio.
E cá fora… silêncio. Um escuro daqueles a sério, sem luz nenhuma, só o céu e os sons da noite.
Quem viveu isto sabe do que falo.
Quem não viveu… dificilmente percebe.
O Alentejo ensinou muita coisa sem nunca levantar a voz:
👉 que pouco pode chegar
👉 que partilhar vale mais do que ter
👉 e que uma mesa simples pode ser o melhor lugar do mundo
E diga lá…
quem é que ainda se lembra destes jantares assim, à moda antiga?
