O segredo Alentejano para engrossar o caldo da sopa de cação

O segredo Alentejano para engrossar o caldo da sopa de cação
Foto de Feliz Matos

🌾 O segredo alentejano para engrossar o caldo da sopa de cação

No Alentejo nada se faz à pressa — nem o pão, nem o amor, nem a sopa de cação. Este prato, que tem alma de rio e perfume de coentros, traz um truque antigo guardado nas mãos das avós: a farinha de milho.

Enquanto noutras terras se recorre à farinha de trigo, por cá prefere-se o milho, dourado como as planícies em agosto. É ele que dá ao caldo aquela textura aveludada, espessa q.b., sem roubar o protagonismo ao peixe nem ao alho.

Como nasce a magia

Depois de cozer o cação num caldo de alho, louro e coentros, retira-se o peixe com jeitinho — como quem embala um bebé — e prepara-se o tempero. Numa tigelinha mistura-se a farinha de milho com um pouco do próprio caldo, mexendo devagar para não fazer grumos. Esse creme cor de sol entra então no tacho, em fio, enquanto a colher dança em voltas largas.

O resultado é quase poesia líquida:
um caldo encorpado,
nem grosso demais,
nem ralo de tristeza.

Porque é que funciona tão bem?

A farinha de milho tem doçura discreta e personalidade mansa. Engrossa sem pesar, abraça os coentros e o vinagre, e faz do pão alentejano — migado no prato — um trono digno do cação.

Diz-se até que, sem este toque, a sopa fica órfã, como casa sem chaminé.

Dica de quem sabe

  • Uma colher de sopa rasa de farinha de milho por cada litro de caldo é regra de ouro.

  • Misturar sempre fora do tacho para evitar “caroços rabugentos”.

  • Deixar ferver dois minutinhos para o milho abrir o sorriso.


No fim, sentas-te à mesa, partes o pão em pedaços generosos e percebes que este segredo não é só culinário — é memória comestível. Cada colher é um bocadinho de Alentejo a dizer baixinho: come devagarinho, moço, que a vida não é para se engolir de uma vez. 😉👌

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